A HISTÓRIA DO PROFESSOR QUE DERROTOU
MARCONI NA JUSTIÇA
Professor e chargista, Marcos Roberto
foi processado pelo governador Marconi Perillo, removido da escola estadual
onde trabalhava há 8 anos e demitido de um jornal semanário em Goiânia
Por Filemon Pereira, em
05/05/2014 12:40
O professor da rede estadual Marcos Roberto dos Santos conseguiu na
semana passada uma vitória na Justiça contra o governador Marconi Perillo
(PSDB). Em entrevista ao Conexão GO, o professor relata o drama que viveu muito
além do processo, fala do apoio dos colegas da Educação e comenta o resultado
do julgamento. “Estou muito contente com essa vitória na justiça, mas não me
sinto seguro”, relata Marcos.
O governador havia processado o professor pela publicação de 82
charges, de sua própria autoria, em sua página no Facebook. O juiz Claudiney
Alves de Melo, da 8ª Vara Cível de Goiânia, julgou a Ação de Reparação
improcedente. O radialista Luiz Carlos Alves, o Luiz Gama, também processou o
professor.
Segundo decisão do juiz, o professor se limitou a publicar charges
em que os mencionados aparecem em caricaturas acompanhadas de expressões que
não revelam propósito de ofender. Trata-se, segundo o juiz, de humor artístico,
algo bastante aceitável no contexto em que foram lançadas. O juiz Claudiney
ainda foi enfático em dizer que não cabe indenização quando o direito de
expressão é exercido sem abuso.
As charges de Marcos Roberto ganharam destaque em 2012, no auge da
crise vivida pelo governador Marconi Perillo, denunciado por envolvimento no
Caso Cachoeira, alvo de CPI no Congresso Nacional. No mesmo período os
servidores da Educação, entre eles Marcos Roberto, protestavam contra aprovação
do projeto de lei do governo que retirou conquistas da categoria, como a
gratificação por titularidade.
Além de processado por injúria, calúnia e difamação, Marcos Roberto
sofreu processo interno de remoção da escola em que trabalhava há oito anos
para outra no setor Madre Germana, que fica aproximadamente a 30 quilômetros de
onde ele reside.
“Fui trabalhar normalmente, quando o diretor da Escola me disse:
‘Marcos, sinto te informar, mas você não trabalha mais aqui, você foi
transferido para outra escola, aqui está o documento. E aqui vai um conselho de
amigo, corre imediatamente para a subsecretaria de Aparecida, você pode ser
exonerado’”, relata.
Neste período o professor Marcos Roberto teve o apoio do Grupo de
Mobilização dos Professores de Goiás. Com ajuda do grupo, ele entrou com um
mandado de segurança e, após muitos dias, conseguiu retornar à escola em que
trabalhava anteriormente.
Marcos Roberto lembra que após a tentativa de remoção do local de
trabalho, as ameaças contra ele continuaram. “Um dia depois saiu uma nota no
Diário da manhã dizendo que personalidades políticas iriam me processar por
minhas charges no Facebook”, conta.
No dia seguinte, em meio à greve da Educação, o professor foi
entrevistado pela TV Anhanguera, na hora do almoço. À tarde, quando chegou para
trabalhar no jornal Tribuna do Planalto, foi comunicado que estava demitido.
Além de professor, Marcos era ilustrador do semanário.
“Foi um verdadeiro purgatório! Estava na justiça lutando contra a
minha remoção, perdi meu emprego e minha vida financeira virou um caos”,
detalha Marcos Roberto. O professor conta que muitos professores também
sofreram o mesmo processo de remoção.
“Em um Estado onde a liberdade de expressão é sufocada de forma
sistemática e particularizada, um chargista não pode gozar do privilégio de
desenhar em paz”, desabafa. E acrescenta : “Mesmo com todas as retaliações
sofridas, mantenho a esperança de viver em um Estado onde exista senso de humor
na política. Onde políticos não tenha medo de desenhos e desenhista não tenho
medo de políticos”.
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